Autoridades turcas prenderam nesta sexta-feira o advogado do prefeito de Istambul e mais jornalistas, em meio à repressão aos maiores protestos no país em mais de uma década.
Mais de 1.800 pessoas foram presas desde o começo das manifestações pela prisão do prefeito Ekrem Imamoglu, na semana passada.
Muitos dos detidos são jovens, entre eles menores de idade, segundo a associação de advogados de Istambul. Os manifestantes continuam desafiando a proibição oficial e indo às ruas.
As operações policiais continuaram hoje, quando Imamoglu denunciou a prisão de seu advogado, Mehmet Pehlivan. "Como se o golpe de Estado contra a democracia não fosse suficiente, não podem tolerar que as vítimas se defendam", publicou no X o prefeito, suspeito em uma investigação por corrupção que diz ser "infundada".
As acusações contra Pehlivan não foram esclarecidas, mas, segundo o canal opositor Halk TV, elas estavam ligadas à "lavagem de ativos procedentes de um crime". O advogado foi solto posteriormente, com probição de deixar o país.
Os Estados Unidos expressaram preocupação com "a instabilidade em um aliado tão próximo", e a França denunciou o que chamou de "ataques sistemáticos" contra as figuras opositoras e a liberdade de reunião.
- Prisões de jornalistas -
A reação das autoridades também levantou preocupações com a liberdade de imprensa, diante da prisão de mais de uma dezena de jornalistas que cobriam os protestos.
O sindicato de jornalistas turco denunciou hoje no X a prisão de duas repórteres durante a madrugada, em suas residências. Também foi detido ao chegar à Turquia o jornalista sueco Joakim Medin. Segundo o chefe de redação do jornal Dagens ETC, Andreas Gustavsson, Medin está preso.
A imprensa turca explicou que Medin é acusado de ter "insultado o presidente" Erdogan e de ser "membro de uma organização terrorista armada". "Sei que essas acusações são 100% falsas", afirmou Gustavsson.
Horas antes da prisão de Medin, que aconteceu ontem, autoridades haviam libertado o último dos 11 jornalistas presos na última segunda-feira em operações de madrugada. Todos foram acusados de participar dos protestos, nos quais estavam a trabalho.
Autoridades também deportaram um correspondente da BBC, acusado de representar "uma ameaça à ordem pública", segundo a emissora, e tomaram medidas contra veículos opositores, como a suspensão por 10 dias do canal de TV Sozcu.
* AFP