A final do Paulistão, entre Corinthians e Palmeiras, foi marcada por uma confusão generalizada na reta final do segundo tempo. Antes da confirmação do 31º título estadual do time alvinegro, a torcida já acendia sinalizadores nas arquibancadas da Neo Química Arena e, em campo, os jogadores se estranharam, principalmente após a provocação de Memphis Depay, subindo na bola para queimar minutos. Além disso, a expulsão de Abel Ferreira, gerou reclamação do lado alviverde.
Todos estes fatos foram relatados por Matheus Delgado Candançan na súmula da decisão, que também precisou dar 19 minutos de acréscimo na segunda etapa para complementar ao tempo perdido com as confusões provocadas por corintianos e palmeirenses em campo - e fora dele, pela torcida alvinegra.
Candançan registrou, por parte da torcida, três eventualidades: a primeira, aos 74 minutos, a respeito de um chinelo, atirado pela torcida corintiana, em direção à área de aquecimento do Palmeiras; as duas últimas, sobre o uso de sinalizadores. Nos acréscimos, o jogo precisou ser paralisado por um sinalizador arremessado em campo.
A partida ficou parada durante cinco minutos pela confusão entre os elencos. Deste quebra-quebra, José Martínez, do Corinthians, e Marcelo Lomba, goleiro do Palmeiras, foram expulsos. Na análise da arbitragem, o venezuelano desferiu o primeiro golpe, com um tapa no rosto do rival, enquanto o palmeirense revidou com um chute. Ambos estavam no banco de reservas no momento da briga.
Abel Ferreira foi expulso por reclamar acintosamente com a arbitragem após a marcação do pênalti de Félix Torres em Vitor Roque, já no segundo tempo. A comissão técnica e o banco alviverde exigiram que Candançan advertisse o zagueiro alvinegro pela falta - ele já havia recebido um amarelo na partida e, independentemente da cor do cartão, seria excluído.
Enquanto havia a checagem do árbitro de vídeo (VAR) sobre o pênalti - se a falta havia sido feita fora ou dentro da área -, Abel foi o membro da comissão técnica que mais esbravejou para que Candançan checasse a cabine e, consequentemente, expulsasse o equatoriano. Inicialmente, ele foi advertido pelas "reclamações acintosas", mas o árbitro aplicou o vermelho direto após ser alertado por sua equipe de arbitragem.
"Vocês têm que ver direito, é tudo contra nós, isso é absurdo, tais a roubar", teria dito Abel Ferreira durante a reclamação - e que foi registrado na súmula de arbitragem. Dois minutos depois do pênalti, desperdiçado por Raphael Veiga, Félix Torres foi, de fato, expulso, ao cometer nova falta sobre Vitor Roque e receber o segundo cartão amarelo na decisão.
Após o jogo, em uma entrevista de três minutos e trinta segundos, Abel Ferreira deu os "parabéns" três vezes ao Corinthians pelo título, disse que "faltou fazer mais gols que o adversário" e que o domínio do Palmeiras ficou menor nesta temporada porque os rivais se reforçaram bastante. "Teve gente que falou que iríamos ver a final de casa, mas aqui chegamos. Perdemos uma final, mas para perder é preciso estar aqui. Perdemos esta decisão em casa. E parabéns ao Corinthians pelo título", resumiu Abel.
Com o título, o Corinthians impede o Palmeiras de conquistar o tetracampeonato inédito na era profissional do Campeonato Paulista e chega ao 31º título estadual de sua história. Do outro lado, a equipe de Abel Ferreira agrava crise vivida até aqui nesta temporada e quase a tirou do mata-mata do Paulistão. Os times voltam a campo neste domingo, contra Bahia, em Salvador, e Botafogo, no Allianz Parque, respectivamente.